sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Rotina.

Todos os dias repito o mesmo gesto de fitar o céu e o mar. Não como todo mundo faz, apenas vendo, sem realmente perceber o quanto aquilo é magnífico. Olho com paixão, com entusiasmo.
Sabe aquela(as) coisa(as) que te traz uma coisa muito especial? Que te evoca um monte de pensamentos? Que te aquece o coração? Assim é o mar.


Poucas coisas trazem emoção tão comum e facilmente como o mar ou necessariamente a praia em si me traz. Talvez por me remeter a tantas coisas boas. Lembranças que puxo de bem lá do passado e outras tão recentes.
Independente do humor, do tempo corrido ou do dia, a vontade de debruçar-me na varanda é a mesma. Dela, consigo ver um espetáculo, uma obra de Deus. Vejo a bela linha do horizonte que define até onde é o mar, e até onde é céu. É tão imenso e lindo, não deve existir problemas ali dentro.
Reparo tanto na perfeição arrebatadora daquele azul, que até minhas pupilas devem ser tingidas de celeste, tento imitar o desenho das nuvens com meus dedos brincando no ar e quase sinto uma textura de algodão vindo delas.
Há dias que só quero me dar o direito de não ter que decidir nada. Nesses dias, me deito em um dos bancos da varanda sozinha. Sentindo a brisa bater no rosto. Deixar todas as dúvidas do lado de fora dali, e tirar o dia pra sonhar acordada. Com um facho de sol batendo no rosto, só pensava em como tudo ali ficava mais leve. Parecia até que as coisas poderiam se resolver sozinhas, sempre, sem precisar de mim. Ali, onde consagro como um santuário, me perco no meus pensamentos(que não são poucos), recarrego energias, converso com Ele. Fico feliz, fico confusa, fico triste, fico feliz de novo. Ri, chora, sofre, aprende. Beija, abraça, briga, vive... Aproveita a brisa e olha para o lindo céu e sem ao menos perceber dorme. Desanima. Se anima muito. É doce. É salgada. É amarga. Come bolo de cenoura com gosto de alegria, come hot dog com gosto de lágrima. E fica mais feliz, mais confusa, mais triste, mais feliz de novo.Sorri o sorriso dos outros. Chora o pranto dos outros. Sente tudo, ama tudo, odeia tudo. Quer tudo. Não quer nada. Quer correr pelo mundo. Quer sentar e sonhar acordada. Quer ser feliz. Já é feliz. E rodopia. Sempre rodopia.


E quando acho que já estava longe o suficiente, meus olhos são sugados pela imensidão azul com o sol ao se pôr. E fico o resto da tarde ali. Várias vezes com pescoço doendo tentando tirar a foto da pintura que meus olhos vêem. E, pra minha alegria, uma amiga minha conseguiu fotografar como nunca havia imaginado ou conseguido fotografar. Óbvio que eu não consigo parar de olhar pra essa foto e de me maravilhar com ela.
Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que as coisas mais simples é que se tornam mais importantes. São elas que fazem à diferença na minha vida. São elas que me alegram e me fazem sentir uma pessoa melhor. Porque realmente não precisa muito para alegrar o meu dia!


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