sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Na parada da vida.

Eu passei longos dias sentado sozinho na calçada a espera de alguém, a espera que alguma pessoa poderia dividir todas essas diferenças e alegrias comigo. Rir, crer, viver. Esperei alguns anos, poupei-me de tristezas e de grandes emoções. Escapei de amores dolorosos e tchum! O ônibus parou onde eu estava e de lá desceu várias pessoas, várias garotas e vários amores.
Cada um diferente de si, cada um mais encantador no seu modo de ser. Uma chorava para não rir e outra sorria para não chorar. Deixei-me levar e acabei percebendo que o ônibus estava ali por engano e logo seguiu viagem. Sentei, chorei e escorri as gotas de chuva do meu rosto. Pensei e pensei e nada acontecia.
Durante dias na calçada tive longas conversas com diversos viajantes e nenhum era feliz, todos eram simpáticos e carismáticos, porém solitários e necessitados de atenção. Mas pude perceber que a pergunta certa era: “Quem realmente não precisa de atenção?”
Eu queria atenção e apenas queria escrever em um cartaz a descrição certa de meu amor, da guria que desceria por aqueles ônibus e me faria feliz por ser quem é, por tentar ser quem não era.
Por mudar, por beijar, por rir e por chorar.
Desisti por alguns anos e logo procurei apressar a situação.
Escrevi em um cartaz:
“Sou um homem solteiro, porém muito confuso. A vocês eternas viajantes dessa estrada, estou aqui colocando meu número para mais detalhes. Não precisa ter cabelos lisos e nem menos ter olhos azuis. Não precisa ter curso superior muito menos doutorado. Senso de humor? Não importa, apenas dê risadas de minhas besteiras. Aja com naturalidade em público e infantilmente perto de mim, porque sinceramente eu amo garotas com jeitinho de criança. Seja pura, mas esteja preparada pra viver um grande amor, esteja preparada para viver novas emoções, afinal foi tão bom quando você aprendeu a andar de bicicleta, não? Seja sincera e humilde, porém caso nós fiquemos ricos futuramente, continue amando arroz com ovo e cineminha ás quartas feiras. Tente estar abertas a outras personalidades e por favor, não tenha medo de me ligar e se envolver porque se deixarmos morrer por insegurança como poderia dar certo?”

Fui para casa e nas semanas que se passaram duas pessoas ligaram. Uma afirmava ser a pessoa certa, porém casada, recusei e deitei sorrindo do que estaria por vir. Outra ligou, mas era trote e apenas falavam que eu era louco.
Bom, no final das contas nessa história de ficar esperando, de ter paciência quem sabe todos nós não estamos apenas esperando um pouco de loucura?
Espero viver uma loucura de amor, tente me ligar, meu cartaz está no seu coração.


P.S.: Vale a pena visitar o blog do Lipe, textos lindos!#ficaadica

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