quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ponto final!

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Quando passamos por uma experiência que mexe não apenas com a cabeça da gente, mas principalmente com a alma, fica difícil sintonizar a rotina, voltar ao nosso próprio universo.
Não tive dificuldade em encontrar um assunto para escrever ontem. Ao contrário de todos os outros dias, em que as milhares de possibilidades me atormentam, ontem um único assunto monopolizava toda a minha existência: minha tristeza. Eu estava triste, muito triste.
Ontem escrevi coisas, hoje reli e, minha nossa era um texto feio.Sua essência era feia. A dor, a raiva, o medo, a dúvida.O resultado foi um vômito de palavras acompanhado de lágrimas que caiam sobre o teclado com a mesma frequência dos dedos frenéticos, embora profundamente sinceras.
E hoje com uma cabeça diferente de ontem, sendo assim, deletei aquele vômito de palavras tristes e tenho deletado aos poucos tudo o mais que diz respeito a ela e a você.Não é a primeira vez que faço isso mas será a última.



Diferença de necessidades


"Procedíamos de galáxias diferentes, como dois cometas que se cruzam efemeramente no espaço. Ele vinha da infância e nunca tivera uma parceira estável, queria me viver até me esgotar, queria que montássemos juntos uma casa, que sonhássemos um futuro, que nos enchêssemos de compromissos de eternidade até as orelhas. Eu, provinha da fatigante travessia da idade madura, sabia que a eternidade sempre se acaba, e tanto mais cedo quanto mais eterna. E assim fui avarenta, me neguei a ele, afastei-o de mim. Quanto mais ele me exigia, mais me sentia asfixiada; e, quanto mais me regateava, mais ansiosamente ele queria me segurar. Dito isso, se ele se retirava, eu avançava, e então o perseguia e o exigia: porque o amor é um jogo perverso de vasos comunicantes."


Este é um parágrafo do livro "A filha do canibal", da espanhola Rosa Montero, pois eu não saberia descrever melhor a razão de tudo. O relato refere-se a um homem e uma mulher com alguma diferença de idade.Muitas pessoas duvidam que uma relação assim possa dar certo. Claro que pode. Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado, e a idade nada tem a ver com isso, é apenas um detalhe na certidão de nascimento. O que transforma nossa vida amorosa num melodrama é a diferença de necessidades. Aí não há casal que encontre seu ponto de apoio, seu eixo e seu futuro.Um quer compromisso sério: para o outro, amar já é sério o suficiente. Um quer filhos, o outro nem em sonhos. Um quer uma casinha no meio do mato, o outro é curioso, precisa de informação, cinema, teatro, gente. Um valoriza a transa antes de tudo, o outro acha que conversar é importante também. Ao menos, os dois gostam de dançar.Um quer se sentir o centro do universo, o outro quer incluí-lo no seu amplo universo. Um quer fugir da solidão, o outro aceita a solidão. Um não quer falar de suas dores, o outro pergunta demais. Um briga.Um não precisa conhecer o mundo, o outro traz o mundo em si. Um é romântico para disfarçar a brutalidade, o outro é doce para despistar a secura. Um quer muito de tudo, o outro se contenta com o mínimo essencial. Nenhum dos dois liga pra dinheiro, mas o dinheiro quase sempre está no bolso de quem viveu mais. Um fica inseguro, o outro diz que nada disso importa, mas claro que importa.Um quer que lhe dêem atenção 25 horas, o outro precisa que o esqueçam por uns instantes. Um quer aproveitar cada réstia de sol, o outro gostaria de dormir um pouco mais. Um gostaria de saber o que não sabe, o outro queria desaprender metade do que a vida lhe ensinou. Um precisa berrar, o outro chora.Um quer ir embora e, ao mesmo tempo, não. O outro quer liberdade, mas a dois. Então um se vai e deita em todas as camas, sofrendo. E o outro mergulha sozinho na dor, sobrevivendo. Diferença de idade não existe.E sim diferença de necessidades.Eu sempre pensei assim.
Sabe o que é irônico?
O mundo não parou de girar!Está tudo igual.Como se nada tivesse acontecido.E, de fato, nada aconteceu.Você não foi o primeiro e, se bem me conheço, não terá sido o último.Não há nada em você que esteja me fazendo falta. Mesmo porque eu não tive nada de você, embora você tenha tido tudo de mim (cada um dá o que tem, não é assim?). Eu sinto falta das possibilidades, das sensações, das promessas (mesmo nenhuma delas tendo sido cumprida). Eu já aceitei a minha condição: é questão de tempo até que você se junte aos outros que, hoje, não passam de meros conhecidos. Então, aceite a sua: você não era assim tão incrível. Eu é que sou criativa demais.Ponto!

Um comentário:

  1. Sinto na essencia destas palavras,verdadeiros sentimentos e desculpas,embora esteja um tanto confusa de ser és uma narradora observadora ou participante(nao consigo lembrar do termo tecnico gramatical pra isso),mas certamente essas palavras se fizeram minhas em alguns momentos(com toda a licença) e sinto que muitos tenham sentido o mesmo apertar no coração o mesmo nó na garganta...e um tilitar de borboletas no estômago,ilumindando os olhos por lágrimas que a muito tinham de se apresentar,contudo a criatividade... melhor nada falar sobre ela...ah e lium livro perfeito da jane austen-razao e sensibilidade-tente ler,e logo,parabens pelo texto...fico linfo e expressivo! bom dia!

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