Entrei em casa batendo a porta, além do cansaço habitual, nada havia dado certo . Fui andando e abandonando os objetos pessoais pelos cantos. Tirei os sapatos, joguei a bolsa no sofá e outros acessórios também ficaram pelo caminho. Chamei por todos e o silêncio veio como resposta. Estava sozinha. Respirei profundamente e permaneci por alguns segundos com os olhos fechados parada até ser interrompida pelas lambidas do meu cachorro no meu pé.
Passado o pequeno instante de meditação caminhei até a estante, liguei o aparelho de som e escolhi minha música predileta, enquanto esperava a música começar, soltei os cabelos jogando-os para trás com um balanço de cabeça semelhante aos de comerciais de shampoo. Corri para cima do sofá e pulei o mais alto que pôde pra cair estrategicamente em cima das almofadas amontoadas no chão da sala.
No repeat sai das almofadas endiabrada com passos, gestos e acenos enlouquecidos. Dancei. Cantei. Cantei e dancei muito. Me transformei em uma verdadeira rainha da dança. Quis mais saber de nada. Quando já exausta, encenei um desmaio e deitei nas almofadas.
Durante aqueles minutos de dança pude esquecer o dia tão cheio de contrariedades. No fim nada tinha sido resolvido, mas depois de um dia de cão, como o que tive, dançar igual a uma 'cachorra' louca pode mesmo ser a redenção.
terça-feira, 30 de março de 2010
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